English Dutch French German Portuguese Spanish
Menu

Jornal de um activista: O que é o activismo?

Vindo da boca de um activista com muitos anos de experiência. Estas são os sentimentos e a opinião do Luis Rocha com as quais nós na ASMAA estamos totalmente de acordo.

Para mim (Luis Rocha) a definição de activista não foi ainda devidamente formulada pela academia. E para mim também, será Tim Jordan o único autor a propor um conceito de activismo enquadrando-o como um acto político.

 

A proposição de Jordan, “o que é essencial no activismo não é simplesmente haver mais do que uma pessoa, como num cinema, mas um sentido de solidariedade em busca da transgressão. Deve haver um sentido de identidade compartilhada, que pode ser entendido nesta etapa como pessoas reconhecendo, umas nas outras a raiva, o medo, a esperança ou outras emoções que sintam quanto a uma transgressão.” (JORDAN, Tim. Activism!. London: Reaktion Books, 2002.11-12.

 

O uso do termo representa uma tentativa de se afastar das fortes cargas associadas aos termos “revolucionário” e “radical”, que remeteriam para o uso de armas para tomar o poder ou aos desvios dos padrões de conduta das instituições políticas, e ao mesmo tempo distanciar da carga fraca associada ao termo “militante”, aquele que defenderia causas, mas não protagonizaria muitas manifestações activas.

 

Jordan propõe ainda um cruzamento com a noção de acção directa: “qualquer acção positiva (fazer algo) que tenha implicações concretas, e geralmente imediatas, sobre seus alvos”.

 

Independentemente da existência de um consenso teórico sobre o termo, na prática dos colectivos mais informais ou dos grupos sociais mais organizados com actuação dirigida para a rede, considera-se “activista” também todo aquele que utiliza a Internet como meio de produção/difusão de conteúdos que ficam à margem da informação tradicional.

O uso do termo justifica-se pela crença corrente, entre estes grupos, que a própria veiculação de informação já é em si uma acção transgressora (uma acção directa não-violenta), um desafio ao controle activado pelas grandes corporações de informação.

 

Nessa concepção, a denominação de “activistas” é pertinente para designar todos aqueles envolvidos, formal ou informalmente, com as acções da chamada informação táctica. Mas não foi por acaso também, que se adoptou como designação de tais acções o termo  “ sofátivismo - activistas de sofá”.

 

De facto e a meu ver existem muitissimos mais " sofátivistas " do que verdadeiros activistas, essencialmente por uma questão de conforto e até por uma questão de modismo.

 

Já vi fotos caricatas de pessoas com o rosto encoberto, tiradas em frente a instituições públicas de madrugada, sem impacto nem acção visivel ou directa, onde se podia ler a legenda " ,,, activistas aguardam resposta desta instituição... ".  Fotos essas que depois quando colocadas nas redes sociais alimentam assim o momentâneo ego de quem as produziu, mas que em nada contribuem quer para a causa a que se destinam quer até para a credibilização do movimento a que pertençam.

 

E assim este raciocinio leva-me a inumerar um conjunto de características que julgo fundamentais existirem nos grupos de individuos que de algum modo activamente lutem por uma determinada causa e tudo se resumirá num core unico:

1 - Não valorizam as desculpas por inactividade

Quando existe um objectivo forte no grupo, ninguém está disposto a ouvir as pessoas que perdem tempo lamentando-se sobre o que não podem fazer. Preferem concentrar-se no que podem fazer e em como podem superar obstáculos para fazer mais.

 

2- Não alimentam conversa fiada

A conversa fiada é terrível. Quando existem idéias que podem ser desenvolvidas, porquê perder tempo a falar sobre as pessoas, quando se poderia estar activamente a participar na construção de algo positivo?

 

3 - Não alimentam a falsa sabedoria ou a cultura superficial

Quando se colocou tempo e esforço a trabalhar para o bem comum, desvalorizam-se as pessoas que fazem julgamentos instantâneos sobre coisas de que não sabem nada. Aqueles grandes discursos sobre nada e/ou baseados em nenhum fundamento experimentado, completamente contaminados por uma cultura pela rama e carentes de sentido analitico, não produzem nada e apenas fazem perder tempo aos que de facto activamente querem produzir algo de visivel e palpável.

 

4 - Não precisam de atenção

A pior coisa que pode acontecer num grupo que lute por uma qualquer causa são as necessidades de atenção individuais. Muitas pessoas julgam que pertencer a uma causa activista é o mesmo que uma terapia de grupo, quando no essencial o que realmente importa são os objectivos a que o grupo se propõe e a causa pela qual dão o seu tempo.

 

E finalmente ...

 

É para mim completamente claro o motivo pelo qual muitos grupos activistas não produzem quaisquer resultados, e esse prende-se essencialmente com as agendas pessoais que na maioria das vezes são colocadas em posição primordial em detrimento das causas que os individuos dizem abraçar.

 

Mas também existem casos de sucesso como se pode comprovar, e esses foram conseguidos exactamente porque se reuniram as pessoas certas em torno do mesmo objectivo.

Assim termino muito simplesmente dizendo que: O sucesso do activismo passa pelo casting ...

 

 

 

Autor: Luis Rocha

Fonte: https://cantardasmiriades.blogspot.pt

 

 

You are here: Home
  • ASMAA - Algarve Surf and Marine Activities Association
    NIPC: 510 381 952
    Tel: 00 351 282 182 103
    This email address is being protected from spambots. You need JavaScript enabled to view it.
    asmaa-algarve.org
    Rua Dr. Alberto Iria
    Lote 12, R/C Esq
    Porto de Môs
    Lagos 8600-580
    Portugal
Go to top