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Incêndios de Outubro: Mãos à obra. Pés a caminho.

Photo: Rede Pronta (Facebook) Photo: Rede Pronta (Facebook)

Levámos ajuda – por enquanto pouca. Trouxemos perguntas. Muitas. Fizemos muitos contactos cara a cara, olhos nos olhos. Recebemos alguns pedidos. Confirmámos que o poder local tem sido incansável.

Presidentes de Câmaras (o de Oliveira do Hospital está a tornar-se uma lenda), de Juntas de Freguesia, de Casas do Povo, de instituições como a Santa Casa de Misericórdia de Arganil foram e estão a ser inexcedíveis. Ninguém, tanto quanto soubemos e percorremos centenas de quilómetros, ficou sem tecto ou sem alimentação. Ou sem bens de primeira necessidade. Os problemas vão começar agora... no rescaldo da tragédia.

 

A sociedade civil tem sido de uma generosidade que nos deixa sem palavras. Apareceu gente de Portugal inteiro para dar uma ajuda e contribuir com o que era e foi possível. A ponto de os armazéns já não comportarem mais roupa.

 

O que continua a ser necessário, mais do que nunca são as SEMENTES. As alfaias agrícolas. E apoios à reconstrução das pequenas lojas anexas às casas de habitação, onde se guardam ferramentas e gado.

Parece que o Governo (Ministério das Finanças? Segurança Social?) está a pôr entraves a essa reconstrução, dizendo que só as casas importam e essas vão ou já começaram a ser reconstruídas. Mas a vida das pessoas está intimamente ligada à pequenissima agricultura de sobrevivência - hortas, pomares, criação de aves de capoeira, etc. E isso tudo ardeu.

 

Então, como é?? Vamos ter de investigar e ir mais longe e mais fundo.

Vamos por partes. Vamos à pequena história, trágica epopeia dos Invisíveis que somos quase todos. A começar pelos resilientes, os mais sábios, que ainda tratam a Terra por tu e com o respeito que merece uma Mãe. Os pequenos agricultores, que viram a sua vida em chamas, reduzida a cinzas e que dizem «esta não é a terra onde nasci e onde vivi os anos de vida que tenho.»

 

O que resta?

  1. Serras, montes, pomares, matas, escalavradas. Dores e medos.
  2. Solidão.
  3. E raiva, muita. Contida. Todos a sentem, velhos e novos.

 

Apontam o dedo ao céu - para acusar:

«O fogo caiu dali. Em bolas. Quando explodiam fazia um ruído seco, uma coisa estranha. O fumo era tanto que a dois metros de distância nao nos víamos uns aos outros. Tivemos muita sorte. O sino tocou a rebate às 4 da manhã e corremos todos para a rua. Os bombeiros nao tinham tempo nem como cá chegar. Estava tudo a arder à mesma hora.» - depoimentos em S. Gião.

 

Também acusam o «petróleo verde», em todo o lado. Dias depois, ainda tudo fumegava, e já pessoas em nome de empresas ligadas ao eucalipto lhes ofereciam uns dinheiritos pelas terras ardidas. Como aconteceu na Galiza, aliás.

 

As histórias copiam-se em círculo. Ouvimos o mesmo em Arganil e em Coja, em Dez Aldeias e São Gião. Em Oliveira do Hospital. E mais e mais e mais. Não há ninguém que acredite na tese das razões 'naturais' porque se viram cair coisas no céu e não eram ovnis.

 

E agora?

Agora, a sociedade civil acordou ou está a acordar. Agora das cinzas que amortalharam Portugal há toda uma vida nova a refazer.

Mãos à obra. Pés a caminho. Força. E que as palavras não nos doam.

 

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