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Promoção da exploração de petróleo e gás em Portugal: Uma teia de mentiras e segredos

O secretismo que sucessivos governos e seus parceiros têm vindo a utilizar, deixa-nos quase sem palavras.

A divulgação tem sido levada a cabo por meio campanhas ardilosas onde, com técnicas de autêntica lavagem cerebral, os representantes do povo português impõem e avançam de forma implacável com a sua agenda, ao mesmo tempo que a negam perentoriamente. E é nesta linha que, ao longo de vários anos, a promoção da exploração de petróleo e gás em Portugal tem decorrido.

Revoltante e escandaloso…

Ao fim de 18 meses, a nossa petição contra a concessão de uma licença TUPEM, ao consórcio ENI / GALP, está finalmente na agenda do debate e votação no parlamento. Faltam poucos dias. Esperamos, ansiosamente, que a verdade possa finalmente vir ao de cima.

Tem sido uma longa jornada, desde que iniciámos as primeiras campanhas anti petróleo no Algarve. Mas para mim (Laurinda Seabra), esta e todas as outras iniciativas, começaram em 2009. Oito anos depois, olho para trás e apercebo-me do quanto já conseguimos. Diga-se o que se disser, o fato é que, através dos nossos esforços, acordámos a população, não apenas no Algarve, mas também em Portugal inteiro, onde as pessoas estão cada vez mais conscientes da ameaça que a exploração de petróleo e gás representa para o país.

Sobretudo nas condições vergonhosas e altamente prejudiciais com que as tutelas negociaram com as Companhias, salvaguardando todos os interesses destas e nenhum dos que a Portugal diga respeita. A começar pela oferta, quase a custo zero, dos nossos recursos às companhias petrolíferas. E pela ausência de cláusulas que prevejam indemnizações às populações no caso de tragédias ambientais…

Nestes oito anos de trabalho insone, alcançamos diretamente mais de 70 mil pessoas, e, indiretamente muitas centenas de milhares. E a nossa cruzada é conhecida em todo o mundo…

Durante este período, fomos, e continuamos a ser, confrontados por pessoas movidas meramente pela ganância; por outras paralisadas de medo; e por outras ainda que, operando em redes suportadas pelo poder, pelos vários poderes que têm vindo a tutelar este belíssimo país que é Portugal, e têm tentado destruir e desvalorizar o nosso trabalho.

Seríamos completamente ingênuos se não estivéssemos conscientes dos interesses poderosos em jogo, tanto a nível local e nacional, como internacional. Não tem sido fácil. Não é, nunca foi e nunca será divertido ... Por vezes, este envolvimento afeta-nos de modo brutal e quase perdemos as forças. Mas a nossa profunda convicção de que é urgente e necessário, mais do que nunca agir, devolve-nos a energia que julgamos esgotada.

É que a ameaça continua e é cada vez mais aterradora.

Parte da estratégia que enfrentamos, consiste, de vários modos, em ataques destinados a desgastar-nos, desmotivar-nos e levar-nos a desistir. Somos pequenos David a enfrentar com uma fisga os gigantescos Golias das Corporações apoiadas pelos Estados, que têm recursos que não temos, e meios de que não dispomos. Mas, e por outro lado, temos proteções que a outra parte carece: temos compaixão, empatia, sentido de responsabilidade cívica, e doses ‘cavalares’ de estabilidade emocional e capacidade de resistência.

Nós importamo-nos. Com os outros. Com o meio ambiente. Com o futuro das novas gerações.

No dia 21 de dezembro, vamos estar em Lisboa, manifestando, uma vez mais, a nossa inequívoca oposição à exploração de petróleo e gás nos portugueses offshore e onshore. O dossier é enorme e complexo. Mais abaixo, levantamos um pouco o véu, e deixamos algumas pistas. Queremos que saibam porque lutamos. Queremos que entendam porque vos pedimos que se juntem a nós, e porque achamos que devem somar as vossas vozes, à nossa, marcando presença nesta manifestação.

Todos temos uma responsabilidade perante as gerações futuras. Todos temos a obrigação de lutar pela preservação da nossa terra e do nosso planeta, porque, a não ser assim, o legado que deixarmos aos nossos descendentes será desolador e inviável.

Numa Terra destruída, desde os seus preciosíssimos lençóis freáticos, ao fundo devastado e morto dos oceanos; numa terra enlameada, morta e inquinada, como todas as terras ficam quando as exploradoras petrolíferas se instalam, a Vida, tal como a conhecemos, tem um fim anunciado. E esse fim prolonga-se por centenas quando não milhares de anos.

 

Junte-se a nós em 21 de dezembro em Lisboa em frente ao Parlamento. Vamos la ficar das 10H00 até 18H00.

 

SELOS PREMONITÓRIOS?

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 Image of Energy promotion Stamp released in September 2015 in selected areas - excluded were Algarve & Alentejo

 

Recentemente, um de nossos diretores trouxe-nos alguns selos adquiridos na estação de correios, em Aljezur, para os seus cartões de Natal. Acabara de descobrir, com a maior surpresa, um selo de 80c que promovia claramente a exploração offshore de petróleo e gás, enquanto relegava as tecnologias alternativas de energia para o fundo do desenho. Este e outros selos com o mesmo conteúdo programático já tinham, entretanto, sido lançados em setembro de 2015 em áreas criteriosamente selecionadas, tendo sido excluídas as regiões do Algarve e Alentejo.

A pretexto de promover o "Mar de Portugal" e o seu "Futuro", os Correios de Portugal no dia 17 de setembro de 2015, lançaram uma campanha coordenada pelo cientista, entretanto falecido, Mário Ruivo, que estivera ativamente envolvido com o Partido Comunista desde o início dos anos 50, e que viria a ter um papel muito activo na Revolução dos Cravos (1974).

 

Naturalmente, a campanha teve o apoio decisivo dos lobbies de exploração de petróleo e gás, apoiados pelo governo de então (PSD / CDS) sob a supervisão e liderança de Assunção Cristas, à época ministra responsável pela pasta dos Assuntos do Mar. O projeto incluía um livro e um conjunto de quatro selos.

 

 

O livro, Do Mar Oceano ao Mar Português [ISBN: 978-972-8968-68-7] foi uma publicação bilingue coordenada por Mário Ruivo, com textos da responsabilidade de vários especialistas – Emanuel J. Gonçalves, Fátima Moura, Fernando JAS Barriga, Joaquim Romero Magalhães, Márcia Marques, Maria Eduarda Gonçalves, Maria Isabel João, Raquel Ribeiro e Telmo Carvalho. Da obra foram impressos 4200 livros.

Os quatro selos representam: Turismo (0,45 €, tiragem de 155 000); Pesca (0,62 €, tiragem de 110 000); Transportes (0,72 €, tiragem de 145 000) e Energia (0,80 € tiragem de 115 000). Inicialmente, estes selos foram apenas distribuídos nas lojas dos Restauradores em Lisboa, no Porto, no Funchal e em Ponta Delgada, ficando clamorosamente ausentes em todas as principais áreas afetadas pela exploração do petróleo e gás, nome

 

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Designer B2 Design

A B2 Design é uma Agência Portuguesa muito bem relacionada. A sua, é uma lista de clientes ilustríssimos. Um verdadeiro "quem é Quem" de onde se destacam, por exemplo, a Fundação Gulbenkian, a Fundação Luso-Americana e, como é óbvio, os próprios CTT.

Quando se equaciona o que parece ser uma estreita relação entre a B2 Design e a Gulbenkian (Proprietária de Partex Oil and Gas), começamos a entender como alguns interesses podem ser promovidos no altar da exploração de petróleo e gás.

ENERGIA…

É importante não esquecer que, durante este período, o sentimento anti petróleo no Algarve e no Alentejo era já muito forte. Mas não nos restam dúvidas de que o governo foi excelente nas suas campanhas de desinformação.

A quem se manifestava contra a exploração, o governo respondia ‘inocentemente’ que a única intenção que o movia era a de aceder e rastrear aos recursos que Portugal tem em sua costa, pois que Portugal não tinha intenção de perfurar.

Uma e outra e outra vez ainda, a posição oficial dos nossos governantes era sempre a mesma: não estava nos seus desígnios a exploração, mas SOMENTE A PESQUISA dos recursos nacionais marítimos.

 

É impossível não nos maravilharmos com as manobras dilatórias e com o próprio calendário da negação promovido pelo governo que SÓ AGORA assume a sua verdadeira intenção, tomada há vários anos. Desde Cavaco Silva, passando por José Sócrates, Pedro Passos Coelho até António Costa…

 

 

E se tomarmos em linha de conta que os selos e o livro foram lançados em setembro de 2015, fica tudo mais claro. Basta descodificar a imagem do selo Energia, onde o grafismo ilustra claramente que a prioridade sempre foi perfurar o nosso offshore (petróleo e gás), mau grado as insistentes negações proferidas ao longo dos anos.

Mas não menos insistente, é a nossa intenção de nos opormos a tais desígnios…

 

No dia 21 de dezembro, os partidos políticos representados no Parlamento português voltarão a ter a oportunidade de agir de forma responsável e votar o fim de todas as concessões para a exploração de petróleo e gás em Portugal. Esperamos que, desta vez, todos os nossos deputados votem de forma consciente e responsável, dando prioridade aos interesses nacionais e ao bem de todos os portugueses.

 

 

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