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Victimas de Incêndios: "Dêm-nos sementes! Sementes de aveia para começar"

«Dêm-nos sementes. Sementes de aveia para começar. E árvores de fruta para replantarmos. E alfaias agricolas» - o pedido recorrente por todas essas Beiras ainda ressoa nos nossos ouvidos.

Nas imagens, documentamos a chegada a Arganil - com as carrinhas cheias. Uma muito pequenina parte do que conseguimos reunir.

Em Barão de São João (Lagos) , um armazém com 200 m2 está cheio, e por Reguengos de Monsaraz (Corval, Telheiro e Monsaraz) as doações foram muitas e muitíssimo generosas. Obrigada Maria Vitoria Duarte e todo o 'furacão' de energia de amor e partilha que puseste em marcha. A gente alentejana é de uma generosidade proverbial e aqui foi patente. Obrigada Marta Prates e tantas pessoas mais. As doações são primorosas.

Tudo impecável. Tudo em condições de ser usado por qualquer de nós, porque ali não se dá o que não serve, dá-se o que serve.

 

Ainda bem que fomos primeiro ao terreno ver o que se passa e falar com os interlocutores certos. Corremos quase dois mil quilómetros para ouvir, para ver, para tentar entender.

 

Obrigada Misericórdia de Arganil (que nos acolheu e alimentou!!) pelo trabalho exemplar que está a desenvolver; obrigada a tanta gente que anda dias a fio a ver como pode minorar esta desgraça.

 

Obrigada autarcas, alguns dos quais estão a transformar-se numa lenda, como o de Oliveira do Hospital, que só não o vimos porque ele não pára: está em todo o lado. Aos presidentes das Juntas e das Casas do Povo, incansáveis e inexcedíveis o nosso abraço imenso.

 

A generosidade portuguesa também tem sido inultrapassável. Por vezes, a vontade de ajudar é tamanha, e a desconfiança nas instituições tão grande que as pessoas vão tentar encontrar pessoas para ajudar directamente.

Não funciona assim, mas depois de Pedrogão é compreensível.

 

O que se passa

A situação está surpreendentemente bem controlada. Os casos identiticados. As necessidades imediatas, contempladas.

Os maiores dramas - dos vivos - a serem acompanhados. Mas... MAS... o que é preocupante ainda não chegou. Daqui a um mês. Daqui a dois, daqui a quatro... quando passar a febre destes momentos, a realidade que se desenha vai ser BRUTAL. Há toda uma vida baseada em pequeníssima agricultura de sobrevivência que foi destruída.

Há toda uma existência de saber tradicional da longa duração que foi destruída. E agora?

 

Agora vem o desenho realmente medonho, e o trabalho a sério subsequente que precisamos de assumir sem descanso: Os apoios vão chegar (apenas? grande dúvida) a quem está colectado - mas 99,9% dos pequeninos agricultores nao está colectados.

 

Senhores: tiraram-lhes tudo, até ao limite de agora de lhes roubarem a dignidade!

Nas Finanças 'computer says no'. A angustia é: para quem vão os fundos, se grande parte dessa população «não existe»? E essa é a grande duvida dos autarcas e dos presidentes das juntas e dos técnicos no terreno.

 

As casas, primeira habitação, vão, algumas já está a ser, reconstruídas. Mas... os telheiros, as lojas (barracões de apoio a alfaias e gado) NÃO!!

 

PORQUE... não é habitação. Portanto, é o golpe de mestre, final e brutal sobre os pequenos agricultores que às pensões da nossa vergonha, somam os magros e amorosos recursos obtidos em economias de subsistência com base nestas nas alfaias destruídas e no gado que perderam. E nas galinhas, patos, coelhos, hortas, pomares, reduzidos a cinzas.

 

SÃO OS INVISÍVEIS DO SISTEMA. Há mais. Roulotes e casas de madeira NÃO EXISTEM.

 

A padronização brutal das vidas implica que quem perdeu este tipo de habitação não tem direito a nada. Felizmente, a comunidade estrangeira, grande afetada por esta tragédia particular, tem meios de sobrevivência. E advogados. E voz poderosa. Esperem pela demora... de uma comunidade que meteu imediatamente mãos à obra, e em muitos casas fez doações imediatas em dinheiro para casos concretos de portugueses em muito piores condições.

Mas por hoje, por agora, o post está gigantesco e ninguém vai ter paciência para ler. A quem chegou até aqui, OBRIGADA. E saibam, que nós vamos ser o rosto, a voz, a força desta gente. Nós todos não vamos parar. A terra queimada, as vidas em cinzas, que trouxemos coladas à pele, não permitem que se cruzem os braços.

For the record - todas as dávidas que nos foram confiadas irão ser entregues, mas não imediatamente porque as necessidades por agora estão cobertas. Vamos começar a receber dos nossos contactos no local, «shopping lists» para enviar o que é preciso. Se não, vamos entupir armazéns que já estão cheios.

 

E para o resto vamos à luta. Vamos dar visibilidade aos INVISÍVEIS dos sistema. Fiquem connosco, por favor. Isto só agora está a começar.

 

 

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