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COVID 19 : INFORMAÇÃO OU DEFORMAÇÃO ?

Jorge Torgal é professor catedrático na Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, com doutoramento em Medicina, Saúde Pública e Bacteriologia. Foi o coordenador dos Cursos de Mestrado em Epidemiologia e em Doenças Transmissíveis, e membro do Conselho Científico da Escola Nacional de Saúde Pública.

Em numerosas ocasiões foi consultor da OMSaúde, e por duas vezes foi nomeado presidente da prestigiada European Society of Mycobateriology.

A extensão e brilhantismo do seu curriculum, inigualável em Portugal, faria supor que seria uma voz regularmente ouvida acerca dos meandros da pandemia do novo corona vírus, da sua evolução e impacto no cenário da saúde pública no país. Mas não: estranhamente, o Prof. Dr. Torgal tem sido sistematicamente banido das televisões, rádios e jornais, desde que no princípio de março último se manifestou (como membro do Conselho Nacional de Saúde Pública) contra o fecho das escolas.

 

Desapareu, completamente. Entretanto, deu recentemente uma entrevista a um jornal – ao Expresso, Público, Diário de Notícias ou a um qualquer outro de expressão nacional ?

Não, foi a um jornal regional, desconhecido da grande maioria dos portugueses (“O Mirante”, de Santarém).

Nessa entrevista, o Professor assevera que se verifica “um pandemónio social, que não corresponde à gravidade da epidemia”, que “o aumento de número de casos é uma coisa banal” e que se verifica “uma falta de estratégia de comunicação do governo para fazer com que as pessoas percam o medo” (sic).

 

Está clarificado, assim, o completo ostracismo do Professor Torgal nos “media” portugueses, por contraponto com os auratos do terror que nos entram em casa pelo écran todos os dias – como o pneumologista Filipe Froes que, para contornar o notório incómodo argumentativo decorrente do facto da grande maioria dos infectados não darem absolutamente por nada disso, vem agitar fantasmas das graves “sequelas neuropsiquiátricas” sofridas pelos assintomáticos diagnosticáveis eventualmente daqui a…10 anos!!

Já quanto aos enormes prejuízos para a saúde dos cidadãos provocados pelos 4 milhões de consultas canceladas e mais de 100 mil cirurgias adiadas pela hipercentração obsessiva e exclusiva na COVID, para além da gravíssima queda em 85% de novos diagnósticos de cancro, patologias em que a precocidade do despiste é crucial – nem uma palavra, que tal não parece interessar, apesar de tal significar a destruição da operacionalidade do Serviço Nacional de Saúde.

Já o insignificante número (e a descer) de 300 e tal pessoas internadas nos hospitais portugueses com COVID (e, acrescente-se, com comorbilidades múltiplas, na enorme maioria dos casos), esse não é indagável pelos “media”, ocupados pelas homilias do inefável Rodrigo “tenham noção” Guedes de Carvalho, sempre pronto a anunciar a “morte de mais três pessoas nas últimas 24 horas!”, sem informar do perfil etário e comórbido dos falecidos, e, muito menos, que tal corresponde a 1% da mortalidade diária em Portugal, já que 300 óbitos / dia é a mortalidade considerada normal pelas autoridades de saúde. Isto não falando da bizarria da suprema sapiência do “epidemiologista” e “imunologista” Paulo Portas. Sim, o das feiras e dos submarinos…

 

Desde a epistemologia de Karl Popper e de Thomas Kuhn que sabemos que a Ciência não tem dogmas. É dinâmica, não estática. É aberta, flexível, não dogmática. É rigorosa, implacável com as verdades feitas, em renovação perpétua e incansável.

 

As teorias fazem-se para serem derrubadas e substituídas por outras que melhor expliquem os fenómenos. Nesta linha, e considerando que serão conceitos científicos que estão na base das drásticas medidas políticas, sociais e económicas que rupturizaram o seu quotidiano, os cidadãos têm direito a uma informação que permita o debate e o contraditório, valor fundador da Democracia.

É no esgrimir de conceitos, raciocínios e saberes que ficamos mais esclarecidos e capazes. Mais determinados, até, a ter as atribuições correctas, os comportamentos certos.

 

A premeditada exclusão de cientistas qualificados com um discurso não-alinhado com a “verdade” oficial impede a fertilidade da discussão, do confronto conceptual, do balanceamento dos diversos aspectos da realidade.

 

 

Em Portugal com Jorge Torgal e outros – mas noutros locais de igual modo: todos os que se manifestam com discurso diferente são implacavelmente silenciados, do Prémio Nobel de Química Michael Levitt a Harvey Risch (professor de Epidemiologia na Yale School of Medicine), de Knut Wittkowsky (director do Departamento de Bioestatística, Epidemiologia e Desenho de Investigação da Universidade Rockefeller) a Klaus Püschel (professor de Medicina Forense, Universidade de Hamburgo) e a Sucharit Bhakdi, professor emérito de Microbiologia Médica, Universidade Johannes Gutenberg, Alemanha; ao biólogo e professor no Instituto de Imunologia da Universidade de Berna (Suíça), Beda Stadler – entre numerosíssimos outros, para além dos especialistas que desenvolvem o seu trabalho nos hospitais.

Mas talvez o exemplo maior seja o de John Ioannidis (professor de Medicina, Epidemiologia e Investigação Clínica na Universidade de Stanford, EUA), pelo facto de ser um dos cientistas mais citados do mundo – o seu seminal artigo “Why most published research findings are false” foi o mais lido artigo na história da procuradíssima Public Library of Science, com o impressionante fluxo de mais de 2,5 milhões de acessos.

 

Pergunta-se: o contributo destas pessoas brilhantes e tão qualificadas não seria importante para o cabal esclarecimento dos pressupostos das medidas que mudaram a nossa vida ? O confronto do seu saber com o de outros cientistas com opinião contrária não auxiliaria determinantemente a explanação do que se passa, estimulando a perspectiva crítica das pessoas ? Porque são silenciados, como se houvesse uma verdade inabalável e absoluta ? Será para que se pense que não há há alternativas de enquadramento científico acerca do que se passa ?

 

 

A obrigação social e o dever ético dos “media” é promover o debate, dar voz às diversas perspectivas, alumiar a reflexão.

O bloqueio sistemático da informação divergente favorece o integrismo, impõe uma versão única, impede-nos de pensar racionalmente sobre os fenómenos. Inibe o confronto com o discurso oficial, sendo usado pelo poder para impor a submissão.

 

Tem um nome em português: censura. E nós, Portugueses, temos dela uma larga experiência de sofrimento e humilhação, durante 48 anos.

 

Autor: Paulo Figueiredo - Médico

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